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sábado, 5 de dezembro de 2009

Gostava de acreditar que as pessoas são o que aparentam ser


Vou caindo.
Caindo cada vez com mais velocidade.
Passam horas, dias, semanas e continuo a cair. Pergunto-me quando pararei. Pergunto-me se chegarei a parar.
Não tenho nada que me possa amparar, nao encontro o chão, nao encontro algo a que me possa agarrar, algo que me faça emergir desta profunda escuridão. Gostava que uma luz aparecesse e me fizesse companhia, assim nao me sentiria tão sozinha neste buraco. Mas as luzes por vezes vão enfraquecendo e ficando cada vez mais fracas vão ludibriando quem as rodeia. Gostam de enganar, trair quem as rodeia. Quando pensamos que são luzes puras, verdadeiras, que nos tentam guiar para o que está certo, elas fazem precisamente o contrario. Apenas nos puxam para mais fundo, para mais escuro.
Pois nao sao luzes, sao TREVAS. São como os polvos, à partida inofensivas mas quando viramos costas fazem o possivel e o impossivel para nos fazer mal.
Mas à medida que vou caindo vou aprendendo.
Estou em constante aprendizagem.
Aprendo a distinguir o preto do branco. E principalmente a saber localizar os polvos. Pois agora não me deixarei enganar. NUNCA MAIS.
Nao vou deixar que gozem com a minha cara outra vez. Nao vou acreditar que o Mundo é repleto de pessoas boas, pois nao é. Nao vou acreditar que a inocencia reside em todos os seres, pois nao reside. Nao vou acreditar que a pureza se encontra em todo o lado, pois nao encontra.
Mas agora vou saber quem é puro e verdadeiro, e quem é desonesto e traiçoeiro. Gostava de acreditar que as pessoas sao aquilo que aparentam ser. Mas isso nao acontece na realidade. Sao meros polvos disfarçados, ansiosos por enganar alguem.
Mas agora já aprendi, e ninguem abusará da minha confiança mais uma vez.

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